Como nossa primeira convidada a profe Tiele, super profe das séries iniciais, com muita pedagogia no seu currículo nos conta um pouco da importância do livro infantil....
Obrigada Titi pela parceria!!
SABIDO
Saber que o gesto ler
rima com prazer.
Todo mundo deve ter
o que beber e comer.
Mario Pirata
Quando recebi a proposta de escrever
sobre a importância dos livros e a pergunta junto ao título sobre a idade em
que ele seria necessário, arrisco aqui a dizer: o livro é tão importante para a criança, desde que seus pais são ainda
crianças! O fato da aquisição da técnica de leitura não deveria demarcar a
idade em que as crianças precisariam entrar em contato com os livros. E aqui,
tomo o cuidado de dizer que é do conteúdo dos livros que falo. Nenhuma criança
deve passar sua infância sem o cuidado de boas narrativas.
Hoje, não temos mais uma cultura da
oralidade, das narrações de histórias no círculo familiar. No entanto, temos
shoppings, livrarias, esquinas tão recheadas de pequenos amontoados de folhas
com letras, que seria injusto com toda a nossa evolução como seres humanos, não
prestigiá-los.
Aos pais de hoje, a humanidade deixa uma
tarefa mais simples, de não precisarmos sequer guardar na memória um conjunto
vastíssimo de histórias e contos. Temos os livros! E que poder eles encontram
quando são lidos para os pequenos, desde que nascem, ou até, desde que ainda estão
sendo gerados.
A criança entra em contato com esse mundo
da fantasia através de histórias, e ali ela organiza sentimentos, desenvolve-se
organicamente e cria imagens que formarão seus pensamentos, seu agir. Quão
pobres estamos deixando nossas crianças quando entregamos para elas um futuro
sem esse recurso.
No entanto, gostaria de ressaltar que,
sim, cada idade requer uma interação diferente com os mesmos. Não diria que um
bebê deva ter contato com o livro sem que esse contato seja mediado pelo
adulto. Não desmereceria os produtores de “livros para usar na banheira”, mas
ali, ele é apenas um objeto. Não cumpre a sua função literária.
Livro não é brinquedo! Ele cumpre um
papel de importância diferente. Nisso, não estou dizendo que o livro é mais
importante que o brinquedo. Nos primeiros anos, o bebê imita tudo o que vê. Sem
a imagem de adultos leitores, perde-se uma grande oportunidade de estimularmos
essa imitação, bem como a de alimentarmos o conteúdo fantástico e mágico do ato
de ler.
Conforme cresce, cresce também a
curiosidade sobre o que está sendo lido. E mesmo que ainda não tenha desvendado
o segredo misterioso da leitura, a criança já pode vivenciar a estrutura da
qual provém belas histórias. Assim, ao chegar à fase em que ocorrerá a sua
alfabetização, o ato de ler será tão especial que, com tranquilidade e
segurança, as letras não mais assustarão.
Quando tenho a oportunidade de falar
sobre livros, algo muito íntimo toma força dentro de mim. O universo da leitura
não era apenas prazeroso em minha casa, como recebia também um cunho de
importância social. Lembro de minha mãe cobrando nossas leituras no final de
uma semana. Lembro de minha mãe escolhendo coleções importantes, e por isso,
caras, em detrimento de arrumação das calças furadas no joelho. E lembro, com
carinho, de ganhar livros em datas importantes que há tempo desejava.
De tudo o que eu gostaria de escrever
aqui, talvez este seja o ponto principal: somos nós, pais, que devemos ser bons
leitores e cuidadores dessa magia da leitura! As letras são invenções
culturais. Nenhuma criança nasce nata a isso. Precisa ser acarinhada com o
valor que a leitura tem.
Tiele Schuller Superti
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